O LEGADO DA REFORMA PROTESTANTE À IGREJA EVANGÉLICA CONTEMPORÂNEA

Mateus Feliciano

A Reforma é basicamente o que entendemos e tentamos viver uma Igreja hoje em dia. A Igreja evangélica só existe porque Deus levantou homens e mulheres para defender a Palavra dEle em meio à uma Igreja idólatra e herética que deturpou e iludiu milhares de fiéis trazendo um grande prejuízo para a história da Igreja.

É muito importante lembrarmos da reforma para que fique vívida a lembrança da contribuição grandiosa que os reformadores trouxeram para o povo de Deus e para aqueles que entendem a Bíblia como regra de fé e prática e vivem para serem imitadores de Jesus Cristo.

Não considerar a importância e relevância da reforma protestante para a Igreja é ser ingrato a Deus e aos homens usados por Ele para trazerem de volta os princípios Cristãos que estavam sendo perdidos e vendidos pela Igreja Católica.

Um dos fatos que exemplifica a falta de consideração por esta parte essencial da história da Igreja está em um documento que se chama Evangélicos e Católicos juntos” que visava uma união entre a Igreja Católica e os protestantes. Uma ação ecumênica que deixava de lado a doutrina de ambas Igrejas e abria mão dos princípios e valores da Bíblia para os protestantes e da tradição Papal para os Católicos.

Um dos legados principalmente iniciado por Martinho Lutero foi trazer de volta o conceito que a Bíblia é a Palavra de Deus e que ela orientava e tinha informações suficientes para conduzir a vida de um Cristão que desejava seguir os preceitos de Deus e ter uma vida refletindo a luz de Cristo. Lutero recuperou a certeza da verdade que a Palavra de Deus trazia e a colocou acima dos Papas e da doutrina Católica.

Apesar de algumas de suas 95 teses ainda serem questionáveis como o fato de Maria ser mãe de Deus, por exemplo, grande parte delas eram fiéis à Bíblia e refletiam a sã doutrina que é vivida por muitas Igrejas de hoje.

Uma das contribuições foi o fato da vida de Jesus servir de parâmetro para os Cristãos e que Cristo deveria ser o exemplo a ser seguido pelos fiéis à Igreja. Não mais os Papas e Padres que iriam definir as concepções de um fiel, mas sim Jesus através da Palavra que instruía o Cristão.

O principal objetivo da reforma foi a mudança ou recuperação Espiritual dos conceitos divinos. Não foi um movimento político e social que pretendia mudar as bases da sociedade, mas sim um movimento espiritual para que a verdadeira Igreja de Cristo pudesse viver pelá fé da sã doutrina do evangelho do Filho de Deus.

A reforma foi considerada pelos católicos como heresia, a tal ponto de surgir a contra reforma para doutrinar as católicos contra a reforma protestante. Para a Igreja Católica os protestantes eram hereges e estavam criando uma nova seita a partir de novas verdades que nunca tinham sido antes desenvolvidas e divulgadas.

Mas na verdade, a reforma foi uma recuperação das doutrinas Bíblicas que inclusive recuperou alguns conceitos já traçados pelos Pais da Igreja e baseando na Bíblia. Nada de novo foi criado ou inventado. Toda a doutrina e teologia da reforma já tinha sido considerada verdade pela Igreja antiga e os reformadores entenderam que esta doutrina tinha sido alterada e acrescentados outros conceitos pela Igreja católica.

Um dos legados deixados por todo este movimento foi a doutrina do pecado. A venda de indulgências tinha deturpado e deteriorado toda a concepção de pecado segundo as escrituras, fazendo que o pecado tomasse outras formas diferentes do que ele realmente é. Martinho  foi um dos grandes responsáveis por este resgate do que é realmente o pecado e trazia a reflexão às pessoas da necessidade de arrependimento sincero e de coração para se alcançar a graça de Deus manifesta em Jesus para perdão dos pecados.

A justificação pela fé é outra contribuição da reforma protestante para a Igreja evangélica contemporânea. Até então a Igreja católica ensinava que a salvação e justificação dos pecados era feito mediante as boas obras. Esta idéia vai de encontro às escrituras onde principalmente o apóstolo Paulo explica como a fé é responsável pela justificação de todo ser humano em relação ao pecado mediante Jesus Cristo. Foi um grande legado deixado para a nossa Igreja de hoje que inclusive precisa continuar a ser divulgado e reforçado para que não haja mais deturpações como algumas igrejas tem feito atualmente.

O sacerdócio universal e individual do crente também foi tratada pela reforma como um ponto importante do resgate dos conceitos Bíblicos sadios e verdadeiros que tinha sido substituído por Padres que faziam a função de sacerdotes, muito semelhante ao que era feito no antigo testamento através dos sacerdotes.

Bibliografia

BINGHAM, D. Jefferey. História da Igreja. Trad. Verônica Araújo. Rio de Janeiro: CPAD, 2007

GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993.

Gentilmente cedido para a SEARA URBANA

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